segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Os primeiros contactos visiveis com o destino:


Os primeiros  contactos visiveis com o destino:
O Batalhão de Caçadores 460, foi destacado para Nambuangongo, e a Companhia de Caçadores 459, a que o Nuno pertencia, para a Beira Baixa, vinte dias depois, numa patrulha que devia ser de reconhecimento, com a duração de uma manha, o radiotelegrafista perdeu a antena do rádio, e os dois grupos de combate 1º e 2º, que faziam a patrulha, sem contacto com o acampamento perderam-se nas margens do rio Lifune. Ao segundo dia as avionetas em operações de busca, sobrevoaram-nos a distancia, acabando por recolher sem os localizar. O Nuno, na ânsia de arranjar pontos de referência, com meia dúzia de homens dos mais afoitos, subia a pontos altos (morros) e arvores na tentativa de identificar um tronco de árvore, alto e seco, que existia no morro de Quibaba, sobranceiro ao acampamento da C C 459, numa das tentativas, estavam a descer o morro por um lado, e um numeroso grupo (dos na altura denominados turras), pelo outro. Na mesma descida havia uma grande cratera escavada pelas chuvas torrenciais, o Nuno que ia a frente do grupo, forma um salto para uma plataforma, e já no ar, verifica que ia cair encima de uma grande serpente que estava enroscada, que ao sentir o Nuno emitiu um agudo assobio, sem perceber como, no ar, conseguiu saltar para mais longe, ainda hoje não sabe, como conseguiu evitar a serpente. Estava a cair a noite do 2º dia, reuniu-se aos companheiros, alguns já a desmoralizar, sem comida e agua, chegaram a recorrer ao álcool da saca de enfermagem, e ao sabugo do capim para molhar a boca. Passada mais uma noite, com um amanhecer idêntico ao anterior, com cães a ladrar e os galos a cantar, dos vizinhos mais próximos. Cerca das 12 horas, voltam a ver ao longe as avionetas, a fazer círculos para os localizar, foram-se aproximando até que os localizaram. Lançaram-lhe ração de combate, enquanto comiam sofreram um ataque, a que ligaram pouca importância tal era a alegria por terem sido localizados. Mas faltava água, e o rio estava a cerca de (um km), o Nuno pegou em seis voluntários, carregaram os cantis e deslocaram-se para o rio, enquanto os colegas enchiam os cantis, o Nuno ficou de arma aperrada a montar segurança, começou a ouvir na sua frente, na outra margem do rio, barulho de pessoas que só podiam ser, os donos dos cães e galos, atento, para não disparar a sorte, começou a perceber na alhada em que se tinha metido, mandou largar os cantis e pegarem nas armas, os seis já instalados e de armas aperradas aguardavam a investida, quando nas suas costas, ainda a alguma distância, lhes soa a voz bem conhecida do comandante de Companhia, perguntando; estais aí; resposta; estamos mas não nos podemos levantar, temos forças inimigas pela frente. O comandante de companhia avançou com os seus homens, e eles ao verem que os seis gatos-pingados, estavam largamente reforçados, com grande densidade de fogo, retiraram-se. O Nuno e os seus homens saíram incólumes.
Em três dias, três casos flagrantes, descida do morro pelo lado contraio a subida, com eles a contar que descessem pelo mesmo lado, serpente e emboscada no rio.
 Acaso ou destino?

Continua



Sem comentários:

Enviar um comentário